A comissão da agência mãe é 10% do valor bruto do trabalho. Num job de 1.000, são 100. É a linha da conta que ninguém explica, e por isso a que mais gera desconfiança.
Abaixo, como esse dinheiro se move numa temporada, número por número.
O que é a comissão da agência mãe
A agência mãe é quem te descobre, te orienta no começo e te coloca nas agências certas em cada mercado. A comissão é o pagamento por esse papel.
Diferente da agência local que fecha o trabalho, a agência mãe não te coloca num casting específico, e sim constrói o caminho: define quais mercados fazem sentido, qual agência recebe você em cada país, e acompanha a temporada de perto.
Por isso a fatia dela é menor que a da agência que booka, e ganha sobre o conjunto da carreira, não sobre um job isolado.
Tem um detalhe que confunde muita gente. Agência mãe séria só ganha depois que você ganha. A comissão sai do trabalho que entra, nunca de uma taxa cobrada antes. Esse arranjo de comissão dividida entre agência mãe e agência local é padrão internacional, não invenção de uma empresa. Se o conceito ainda é novo pra você, vale começar por o que uma agência mãe faz e por que ela importa.
Como o dinheiro se move numa temporada
Pense num trabalho de mil dólares fechado pela agência local no país onde você está.
Na maioria dos contratos de temporada, perto de metade desse valor fica com as agências e perto de metade fica com você. Sobram cerca de 500 pra você, antes das despesas adiantadas. Varia por contrato.
A agência mãe cobra 10% do valor bruto do trabalho. Num job de 1.000, são 100 pra agência mãe, perto de 400 pra agência local que bookou e cerca de 500 pra você.
Repara no ponto que tira o medo de muita modelo: a agência mãe não tira do seu bolso de novo, divide a comissão com a agência local. Você é descontado uma vez só, lá no começo da conta.
É a mesma conta que roda em qualquer mercado, da Europa à primeira temporada na China.
Os percentuais variam conforme contrato e mercado. Estes são exemplos orientativos.
Os números que você vai ver no contrato
A faixa que aparece na maioria dos contratos:
- Agência local que fecha o trabalho: cerca de 40% sobre o cachê.
- Agência mãe: 10% do valor bruto do trabalho.
- Modelo: cerca de 50% do bruto, antes das despesas adiantadas.
Esses números não são lei. Cada mercado tem o seu padrão, e cada contrato mexe na conta de um jeito. O que muda tudo é a clareza. Contrato bem feito diz, em número, quanto cada parte fica.
Contrato que fala em "comissão" sem percentual, ou junta tudo numa frase vaga, é bandeira vermelha. Pra ver o quadro completo do que entra e sai numa temporada, leia quanto ganha uma modelo internacional.
Se você quer entender a sua conta antes de assinar, o Career Direction é uma conversa de trinta minutos com o diretor da Cosmos sobre onde você está e qual mercado faz sentido, com um resumo escrito dos próximos passos depois.
Direct booking, quando a divisão muda
Nem todo trabalho passa por uma agência local. Às vezes a agência mãe fecha direto com a marca, sem intermediário no país.
Nesse caso não existe comissão pra dividir com ninguém. A agência mãe cobra direto sobre o trabalho, num percentual em geral maior que os 10% de quando há uma agência local no meio.
Faz sentido. Sem agência local, a agência mãe fez as duas pontas: negociou, fechou e administrou. O percentual reflete isso.
Onde a conta costuma dar problema
A maior parte dos problemas com comissão não está no percentual. Está no que não ficou escrito.
Três sinais que pedem atenção:
- Taxa cobrada antes de qualquer trabalho. Agência que pede dinheiro pra "montar book", "cadastrar" ou "agenciar" antes de te colocar em job nenhum está invertendo a lógica. A comissão sai do trabalho, não da sua conta.
- Passagem ou acomodação que viram dívida sem você saber. Em alguns contratos, o que parecia cortesia entra como valor a descontar do cachê depois. Pode ser legítimo, mas tem que estar escrito e combinado antes, nunca aparecer como surpresa no acerto.
- Comissão sem número. Contrato que fala em "porcentagem a combinar" deixa a porta aberta pra qualquer conta na hora do pagamento.
Modelo bem orientada lê esse contrato junto com a agência mãe antes de embarcar, sem pressa. Esse é o momento de tirar a dúvida, não depois do trabalho feito.
Por dentro da Cosmos
A Cosmos é uma agência mãe brasileira com base em Florianópolis (SC), que já trabalhou com mais de 50 agências na Ásia, na Europa e no mundo. A comissão aqui segue o padrão do mercado: a fatia menor da conta, e só sobre trabalho que de fato aconteceu.
Nosso processo geralmente inclui revisar o contrato com a modelo antes do embarque, traduzir o que importa pro idioma dela e deixar claro, em número, quanto cada parte fica. Quando aplicável, a gente negocia condições melhores com a agência de destino antes de você assinar.
A lógica é simples. A agência mãe ganha quando você ganha. Se o trabalho não anda, a comissão também não existe. É o que mantém os dois lados puxando junto.
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Perguntas frequentes
Não. No arranjo comum, a agência mãe divide a comissão com a agência local que fechou o trabalho. Você é descontado uma vez, sobre o cachê. A divisão entre as agências acontece do lado delas.
Cerca de 10% sobre o cachê, numa divisão comum de perto de 50% pra modelo, 40% pra agência local e 10% pra agência mãe. Varia conforme contrato e mercado, e o número precisa estar escrito no contrato.
Agência mãe séria não cobra taxa antecipada pra te representar. A comissão sai do trabalho que entra. Cobrança antes de qualquer job é sinal de alerta.
Aí a agência mãe cobra direto sobre o trabalho, num percentual em geral maior, porque fez as duas pontas. Não há comissão pra dividir.
Costuma ser um contrato de representação de alguns anos, com renovação e regras de saída. Leia o prazo e a cláusula de rescisão antes de assinar.
Este conteúdo é informativo. Consulte sempre a sua agência e, quando necessário, um advogado especializado.