A comissão da agência mãe fica em torno de 10% do cachê, e sai da fatia da agência local, não do seu bolso uma segunda vez. É a linha da conta que ninguém explica, e por isso a que mais gera desconfiança.
Abaixo, como esse dinheiro se move numa temporada, número por número.
O que é a comissão da agência mãe
A agência mãe é quem te descobre, te orienta no começo e te coloca nas agências certas em cada mercado. A comissão é o pagamento por esse papel.
Diferente da agência local que fecha o trabalho, a agência mãe não te coloca num casting específico, e sim constrói o caminho: define quais mercados fazem sentido, qual agência recebe você em cada país, e acompanha a temporada de perto.
Por isso a fatia dela é menor que a da agência que booka, e ganha sobre o conjunto da carreira, não sobre um job isolado.
Tem um detalhe que confunde muita gente. Agência mãe séria só ganha depois que você ganha. A comissão sai do trabalho que entra, nunca de uma taxa cobrada antes. Esse arranjo de comissão dividida entre agência mãe e agência local é padrão internacional, não invenção de uma empresa. Se o conceito ainda é novo pra você, vale começar por o que uma agência mãe faz e por que ela importa.
Como o dinheiro se move numa temporada
Pense num trabalho de mil dólares fechado pela agência local no país onde você está.
A agência local cobra a comissão dela sobre esse valor, em geral perto de 20%. Sobram 800 pra você.
Daqueles 200 que ficaram com a agência local, uma parte vai pra agência mãe. O arranjo mais comum divide essa comissão no meio: metade fica com quem bookou, metade vai pra quem te representa como mãe.
Repara no ponto que tira o medo de muita modelo: a agência mãe não tira do seu bolso de novo, divide a comissão com a agência local. Você é descontado uma vez só, lá no começo da conta.
É a mesma conta que roda em qualquer mercado, da Europa à primeira temporada na China.
Os percentuais variam conforme contrato e mercado. Estes são exemplos orientativos.
Os números que você vai ver no contrato
A faixa que aparece na maioria dos contratos:
- Agência local que fecha o trabalho: 20% a 25% sobre o cachê.
- Agência mãe: em torno de 10% sobre o cachê, dividido com a agência local.
Esses números não são lei. Cada mercado tem o seu padrão, e cada contrato mexe na conta de um jeito. O que muda tudo é a clareza. Contrato bem feito diz, em número, quanto cada parte fica.
Contrato que fala em "comissão" sem percentual, ou junta tudo numa frase vaga, é bandeira vermelha. Pra ver o quadro completo do que entra e sai numa temporada, leia quanto ganha uma modelo internacional.
Se você quer entender a sua conta antes de assinar, o Career Direction é uma conversa de trinta minutos com o diretor pra ler o contrato com calma.
Direct booking, quando a divisão muda
Nem todo trabalho passa por uma agência local. Às vezes a agência mãe fecha direto com a marca, sem intermediário no país.
Nesse caso não existe comissão pra dividir com ninguém. A agência mãe cobra direto sobre o trabalho, num percentual em geral maior que os 10% de quando há uma agência local no meio.
Faz sentido. Sem agência local, a agência mãe fez as duas pontas: negociou, fechou e administrou. O percentual reflete isso.
Onde a conta costuma dar problema
A maior parte dos problemas com comissão não está no percentual. Está no que não ficou escrito.
Três sinais que pedem atenção:
- Taxa cobrada antes de qualquer trabalho. Agência que pede dinheiro pra "montar book", "cadastrar" ou "agenciar" antes de te colocar em job nenhum está invertendo a lógica. A comissão sai do trabalho, não da sua conta.
- Passagem ou acomodação que viram dívida sem você saber. Em alguns contratos, o que parecia cortesia entra como valor a descontar do cachê depois. Pode ser legítimo, mas tem que estar escrito e combinado antes, nunca aparecer como surpresa no acerto.
- Comissão sem número. Contrato que fala em "porcentagem a combinar" deixa a porta aberta pra qualquer conta na hora do pagamento.
Modelo bem orientada lê esse contrato com a agência mãe antes de embarcar, sem pressa. Esse é o momento de tirar a dúvida, não depois do trabalho feito.
Por dentro da Cosmos
A Cosmos é uma agência mãe brasileira com base em Florianópolis (SC), com cerca de 56 agências parceiras entre Ásia, Europa e mundo. A comissão aqui segue o padrão do mercado: a fatia menor da conta, e só sobre trabalho que de fato aconteceu.
Nosso processo geralmente inclui revisar o contrato com a modelo antes do embarque, traduzir o que importa pro idioma dela e deixar claro, em número, quanto cada parte fica. Quando aplicável, a gente negocia condições melhores com a agência de destino antes de você assinar.
A lógica é simples. A agência mãe ganha quando você ganha. Se o trabalho não anda, a comissão também não existe. É o que mantém os dois lados puxando junto.
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Perguntas frequentes
Não. No arranjo comum, a agência mãe divide a comissão com a agência local que fechou o trabalho. Você é descontado uma vez, sobre o cachê. A divisão entre as agências acontece do lado delas.
Em torno de 10% sobre o cachê, dividido com a agência local. Varia conforme contrato e mercado, e o número precisa estar escrito no contrato.
Agência mãe séria não cobra taxa antecipada pra te representar. A comissão sai do trabalho que entra. Cobrança antes de qualquer job é sinal de alerta.
Aí a agência mãe cobra direto sobre o trabalho, num percentual em geral maior, porque fez as duas pontas. Não há comissão pra dividir.
Costuma ser um contrato de representação de alguns anos, com renovação e regras de saída. Leia o prazo e a cláusula de rescisão antes de assinar.
Este conteúdo é informativo. Consulte sempre a sua agência e, quando necessário, um advogado especializado.